
O sistema atual é lento, o suporte demora, ninguém usa metade dos recursos. Mesmo assim a imobiliária continua nele. O motivo raramente é o preço: é o medo de parar a operação. Perder leads, publicar imóvel errado, sumir do Google, deixar a equipe sem saber onde clicar. Todos esses riscos são reais, e todos podem ser tratados com um plano. Este é o roteiro.
Antes de decidir: descubra o que você tem
- Liste o que está no sistema atual. Imóveis, proprietários, leads, histórico, contratos, financeiro, fotos, documentos.
- Descubra o que dá para exportar e em que formato. Se o fornecedor atual dificulta, isso é informação importante sobre a saída.
- Mapeie o que está conectado. Quais portais recebem imóveis por integração? O site atual usa o mesmo cadastro? Há automações ou formulários apontando para ele?
- Separe o que precisa migrar do que pode ficar de fora. Cadastros antigos de cliente que nunca responderam talvez não valham o trabalho.
O que exigir do novo fornecedor
- Um plano de migração por escrito, com responsável e prazo, e não uma promessa verbal.
- Quem faz a importação dos dados, e se ela tem custo.
- Como os imóveis passam para os portais sem duplicar anúncios.
- O que acontece com os endereços do seu site atual. Falamos disso abaixo, e é o ponto que mais afeta o Google.
- Treinamento para a equipe antes da virada, não só uma senha.
O ponto que mais assusta: portais e duplicidade
Enquanto os dois sistemas estiverem publicando o mesmo imóvel no mesmo portal, você corre o risco de anúncio duplicado. A regra é simples: num dado momento, só um sistema publica. Combine com cada portal e com o fornecedor novo o dia exato da troca, e desligue o feed do sistema antigo no mesmo dia em que ligar o novo. Confira depois, portal por portal, se tudo está certo.
O ponto que mais custa se for esquecido: o seu site no Google
Se o site muda de endereço ou de estrutura, todos os endereços antigos que o Google já conhece precisam apontar para os novos, com um redirecionamento permanente. Sem isso, quem clica num resultado antigo cai numa página de erro, e o que o site conquistou em anos de trabalho se perde. É a parte que mais surpreende quem migra sem planejar.
Um cronograma realista
- Semana 1: mapeamento e contrato. Levantamento dos dados, decisão do que migra, plano escrito.
- Semana 2: importação e conferência. Dados no sistema novo, amostra revisada por quem conhece a carteira.
- Semana 3: treinamento e período em paralelo. A equipe pratica no sistema novo enquanto o antigo segue como referência.
- Data da virada: portais trocados no mesmo dia, endereços redirecionados, sistema antigo em modo somente leitura.
- Semanas seguintes: acompanhamento. Conferir leads, publicações e o comportamento no Google.
Depois da virada
- Guarde uma cópia completa dos dados do sistema antigo por um período seguro.
- Confirme por escrito o que o fornecedor antigo fará com os dados que ficarem com ele. Isso importa para a LGPD.
- Acompanhe por algumas semanas se houve queda de visitas ou de leads e investigue cada causa.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva uma migração de sistema?
Depende do volume de dados e da complexidade das integrações. Para uma imobiliária de porte médio, algumas semanas com um plano claro são um ponto de partida realista. O importante é o cronograma vir escrito e com responsável.
Vou perder leads durante a troca?
Não precisa. O risco está nos dias entre desligar um sistema e ligar o outro. Com data combinada e o período em paralelo, o lead sempre tem para onde ir.
E se o sistema atual não me deixa exportar os dados?
Trate isso como informação relevante. A LGPD garante ao titular a portabilidade dos próprios dados, e um contrato sério prevê a entrega no encerramento. Se for difícil, vale consultar um advogado antes de assinar com o novo fornecedor.

